"O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento." John Kennedy
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
O Crime perfeito
A intervenção de Sócrates no negócio entre a PT e a Telefónica foi um sucesso... para Sócrates. Mostrou quem manda. Manda na PT, na Caixa, manda em tudo o que antes negava. Nós, o povo, delirámos. E assim se legitima o que antes era escândalo. Amemos o polvo.
Sobre a "golden share" já se disse o que havia a dizer. O País parece entender que o Governo escreveu direito por linhas tortas e que, como outros assim fazem, que se danem os tribunais. Sobretudo sendo espanhóis e arrogantes, como foi a Telefónica. Investidores? Accionistas? Privados? Mercados? Abrenúncio! E na alucinação colectiva em que mergulhámos, quem discorda preenche quota na corja de ultraliberais. Incluindo os pequenos investidores, ignorados ou esconjurados.
É preciso reconhecer mérito ao primeiro-ministro. Não pelo acerto mas pela força. Numa semana ajoelhou todos, Telefónica, Banco Espírito Santo, Ongoing, administradores e políticos. Vingativo e manipulador como sempre, Sócrates foi no entanto inabalável como não se via desde o início da sua governação. Onde andou este primeiro-ministro nos últimos anos? A cultivar defeitos enterrando qualidades.
Assim acaba a primeira parte deste jogo de telecomunicações, num armistício para negociar. Os accionistas perderam um grande negócio mas a PT não amputou o braço direito. E todos ficámos a perceber que quem decide é o Governo.
Ficou tudo às claras: o Governo dá ordens à Caixa Geral de Depósitos e não aceita que se façam negócios sem ser ouvido e sem anuir ou mesmo encorajar. Estivemos anos a ouvir o contrário. Que não, que as empresas decidem autonomamente; que falar de intervenção estatal era insulto; que a Caixa competia no mercado com os outros.
Quem é que hoje acredita que a TVI esteve para ser comprada pela PT sem o conhecimento, aprovação e até motivação do Governo? Quem pode hoje sonhar que na OPA da Sonae o Governo foi mesmo neutro? Quem pode crer que o financiamento galopante e suicida que a Caixa fez àqueles que se consumiram no BCP (Berardo, Fino e outros) não teve o pulso ou o impulso do PS? E que a não execução destes capitalistas falidos foi isenta? Quem põe as mãos no fogo pela nomeação de dezenas de "boys", tachos e incompetentes infiltrados nestas empresas? Quem acredita nos negócios na Taguspark, no pequeno-almoço de Figo, nos amores à primeira vista com a JP Sá Couto, nas adjudicações sem concurso, na convocatória da EDP para a Qimonda Solar, na coincidência do ex-assessor do secretário de Estado das Scut que passa a vender chips ao Estado? Quem se fia em todos os investimentos e créditos perdulários da Caixa em antros de pirataria como a La Seda? Nos dinheiros de fundos públicos para a Aerosoles, nos patrocínios compulsivos de "empresas estratégicas" no Red Bull Air Race, que acaba de nos mandar passear? Quem ainda acredita que a Caixa não está a reforçar-se como testa--de-ferro da "golden share" da PT, nas nomeações na Cimpor, como antes no BCP, nas entradas accionistas na Galp, Quem?
O Estado é maior que o Governo, que é maior que o partido. Em Portugal, contudo, o sentido é o inverso. Temos ministros da Economia que são directores comerciais e primeiros-ministros "chairman". Com a nacionalização temporária da PT para o Verão, que incluiu ordens à Caixa, acabou-se o cinismo. E, para gáudio, a massa que antes apupava estes tentáculos enleva-se agora neles. Um dia, o interesse nacional será não o das grandes empresas e dos Governos, mas o dos consumidores e o dos contribuintes. Um dia, um dia...
É preciso reconhecer mérito ao primeiro-ministro. Não pelo acerto mas pela força. Numa semana ajoelhou todos, Telefónica, Banco Espírito Santo, Ongoing, administradores e políticos. Vingativo e manipulador como sempre, Sócrates foi no entanto inabalável como não se via desde o início da sua governação. Onde andou este primeiro-ministro nos últimos anos? A cultivar defeitos enterrando qualidades.
Assim acaba a primeira parte deste jogo de telecomunicações, num armistício para negociar. Os accionistas perderam um grande negócio mas a PT não amputou o braço direito. E todos ficámos a perceber que quem decide é o Governo.
Ficou tudo às claras: o Governo dá ordens à Caixa Geral de Depósitos e não aceita que se façam negócios sem ser ouvido e sem anuir ou mesmo encorajar. Estivemos anos a ouvir o contrário. Que não, que as empresas decidem autonomamente; que falar de intervenção estatal era insulto; que a Caixa competia no mercado com os outros.
Quem é que hoje acredita que a TVI esteve para ser comprada pela PT sem o conhecimento, aprovação e até motivação do Governo? Quem pode hoje sonhar que na OPA da Sonae o Governo foi mesmo neutro? Quem pode crer que o financiamento galopante e suicida que a Caixa fez àqueles que se consumiram no BCP (Berardo, Fino e outros) não teve o pulso ou o impulso do PS? E que a não execução destes capitalistas falidos foi isenta? Quem põe as mãos no fogo pela nomeação de dezenas de "boys", tachos e incompetentes infiltrados nestas empresas? Quem acredita nos negócios na Taguspark, no pequeno-almoço de Figo, nos amores à primeira vista com a JP Sá Couto, nas adjudicações sem concurso, na convocatória da EDP para a Qimonda Solar, na coincidência do ex-assessor do secretário de Estado das Scut que passa a vender chips ao Estado? Quem se fia em todos os investimentos e créditos perdulários da Caixa em antros de pirataria como a La Seda? Nos dinheiros de fundos públicos para a Aerosoles, nos patrocínios compulsivos de "empresas estratégicas" no Red Bull Air Race, que acaba de nos mandar passear? Quem ainda acredita que a Caixa não está a reforçar-se como testa--de-ferro da "golden share" da PT, nas nomeações na Cimpor, como antes no BCP, nas entradas accionistas na Galp, Quem?
O Estado é maior que o Governo, que é maior que o partido. Em Portugal, contudo, o sentido é o inverso. Temos ministros da Economia que são directores comerciais e primeiros-ministros "chairman". Com a nacionalização temporária da PT para o Verão, que incluiu ordens à Caixa, acabou-se o cinismo. E, para gáudio, a massa que antes apupava estes tentáculos enleva-se agora neles. Um dia, o interesse nacional será não o das grandes empresas e dos Governos, mas o dos consumidores e o dos contribuintes. Um dia, um dia...
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Leitura recomendada
Você emprestar-nos-ia dinheiro?
Nas últimas semanas alguns bancos europeus andaram a dizer aos mercados que não têm (ou têm pouca) divida dos países em risco de bancarrota. Entre os quais Portugal. A estratégia é clara: mostrar aos financiadores que não andam com más companhias.
Nas últimas semanas alguns bancos europeus andaram a dizer aos mercados que não têm (ou têm pouca) divida dos países em risco de bancarrota. Entre os quais Portugal. A estratégia é clara: mostrar aos financiadores que não andam com más companhias. E que, por isso, qualquer desastre que aconteça a essas más companhias não os afecta.
A consequência imediata desta atitude é que bancos portugueses, mesmo os mais sólidos, passaram a ter ainda mais dificuldade em financiar-se nos mercados interbancários.
Em qualquer país sério isto teria provocado duas coisas: fuga de depósitos e toque a rebate na classe política. Porque não pode haver pior sinal, para um país, do que quando os mercados o passam a olhar como um leproso.
Em vez disso o que temos? Um Governo que não corta despesa corrente (e que exulta com a subida de 15 por cento nas receitas do IVA); um parlamento que chumba uma proposta para congelar o TGV e um primeiro-ministro que diz que só corta salários aos políticos porque a isso se comprometeu com o líder da oposição.
Enquanto isso, aqui ao lado, um Governo sem maioria decidiu cortar salários a quem trabalha para o Estado (a Espanha tem, como nós, um défice externo superior a 10% do PIB) e vai avançar com uma reforma laboral mesmo sem acordo de sindicatos e patrões.
Caro leitor, imagine que gere as poupanças que milhares de trabalhadores colocaram num qualquer fundo de pensões. Emprestaria dinheiro a Portugal?
P.S. - Passos Coelho diz que se o Governo tiver de recorrer a ajuda externa, o PSD não se opõe. Os mercados ficaram a saber que o futuro primeiro-ministro acha que o País não se safa pelos próprios meios.
A consequência imediata desta atitude é que bancos portugueses, mesmo os mais sólidos, passaram a ter ainda mais dificuldade em financiar-se nos mercados interbancários.
Em qualquer país sério isto teria provocado duas coisas: fuga de depósitos e toque a rebate na classe política. Porque não pode haver pior sinal, para um país, do que quando os mercados o passam a olhar como um leproso.
Em vez disso o que temos? Um Governo que não corta despesa corrente (e que exulta com a subida de 15 por cento nas receitas do IVA); um parlamento que chumba uma proposta para congelar o TGV e um primeiro-ministro que diz que só corta salários aos políticos porque a isso se comprometeu com o líder da oposição.
Enquanto isso, aqui ao lado, um Governo sem maioria decidiu cortar salários a quem trabalha para o Estado (a Espanha tem, como nós, um défice externo superior a 10% do PIB) e vai avançar com uma reforma laboral mesmo sem acordo de sindicatos e patrões.
Caro leitor, imagine que gere as poupanças que milhares de trabalhadores colocaram num qualquer fundo de pensões. Emprestaria dinheiro a Portugal?
P.S. - Passos Coelho diz que se o Governo tiver de recorrer a ajuda externa, o PSD não se opõe. Os mercados ficaram a saber que o futuro primeiro-ministro acha que o País não se safa pelos próprios meios.
Camilo Lourenço
Fonte: Jornal de Negócios
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Esta gente está doida: o desastre europeu
All 27 EU finance ministers have been summoned to Brussels on Sunday to sign up to a “European stabilisation mechanism. Britain will be unable to veto this as it will be put through under the “qualified majority voting” system.
The deal, effectively to shore up the euro, was denounced as a “stitch-up” last night after it emerged Nicolas Sarkozy, the French President and Angela Merkel, the German Chancellor, had devised it behind closed doors and were attempting to push it through at a time when there is no clear government in Britain.
It was declared a “done deal” by the 16 euro zone leaders who met in the early hours of Saturday morning.
(…)
“When the markets reopen Monday we will have in place a mechanism to defend the euro,” said President Sarkozy yesterday. “This is a full-scale mobilisation.”
Euro-zone leaders are attempting to get round objections from countries such as Britain by invoking Article 122 of the Lisbon Treaty, intended to enable a collective response to natural disasters. This does not need unanimous agreement.
By doing so, Mr Sarkozy has ensured a speedy confrontation with a new British prime minister and other leaders of non-euro currency countries. All 27 EU finance ministers must be present, but because decision will be taken by qualified majority vote, the 16 euro zone leaders can ensure its passage.
via LR do Blasfémias
domingo, 9 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Repita lá sr. Ministro?
“Só numa situação de força maior seria legítimo adiar essas obras” Teixeira dos Santos em entrevista ao Diário Económico
Eu pergunto-me se Teixeira dos Santos vive noutro planeta...Mas nós não estamos já numa situação de força maior?!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Ataques de irresponsabilidade
"Este é um momento decisivo. O país tem que responder a este ataque dos mercados. É tempo de o Governo e os partidos, em especial o PSD, se entenderem quanto a isto: há que executar as medidas necessárias. Não é tempo para querelas inúteis", disse hoje Teixeira dos Santos.
Já era altura dos nossos políticos deixarem de brincar com o fogo com as suas constantes fugas para a frente e dramas de vitimização. Nas últimas semanas parece que tem vingado a tese de que Portugal está a ser alvo de um ataque de especuladores que nos querem comprar à Grécia. Portugal não é ainda a Grécia, mas quem ouve os membros do Governo português falar fica logo com a ideia de que isto é tudo uma grande cabala contra Portugal e que a culpa é dos especuladores. O que é extraordinário aqui é a inversão de responsabilidades. A culpa não é dos malandros dos especuladores que querem ganhar dinheiro à conta dos nossos disparates. A culpa é nossa, do país, que anda há anos a viver acima das suas possiblidades .... A culpa é do Estado (não interessa quem está à frente do Governo pois mudam-se as cores políticas e mantém-se sempre a tendência de aumento da despesa pública) que pesa hoje quase 50% do PIB nacional e tem um défice de 9.4%. Se fossem tudo rosas por Portugal e estivessesmos com as nossas contas públicas controladas os malandros das agências de rating não estariam a baixar o nosso rating nem estaríamos neste momento no lote dos países com maior risco de bancarrota. Ninguém no seu perfeito juízo pode achar que seria normal que quem empreste dinheiro a Portugal neste momento tivesse o seu risco de nos emprestar dinheiro a ser remunerado à mesma taxa de juro que emprestaria à Alemanha. Vale a pena reler este ensaio que Ricardo Reis escreveu para o jornal i em Dezembro.
Portugal nesta altura só tem uma solução. Devemos exigir aos nossos governantes que tranquilizem os credores e o mercado com medidas concretas de controlo das finanças públicas, mas olhando também para um crescimento económico sustentável. Em vez dos nossos governantes andarem a fazer-se de vitimas de ataques do mercado, deveriam estar a acalmar o mercado com medidas sérias e de preferência que fujam às típicas fórmulas do passado que nunca resultam. Aqui ficam algumas propostas para Sócrates (algumas delas já propostas antes neste blog):
1- Mexer nos impostos. Não aumentando os impostos, mas fazendo precisamente o contrário ou pelo menos tornando a política fiscal mais simples e transparente. Por exemplo como já proposto aqui: mexer com o IRS aplicando uma taxa de IRS única e positiva ou em alternativa pura e simplesmente abolir com o IRS taxando apenas o consumo via IVA (e aqui até se poderia eventualmente subir o IVA ligeiramente).
2- Baixar a despesa pública mas de forma significativa. Isto por muito que custe a muita gente, implica cortes salariais no sector público, e cortes na saúde e educação (em Portugal está-se convencido que injectar mais e mais dinheiro na educação por si só faz milagres. os resultados estão à vista). Acrescentaria a privatização da RTP que é um buraco financeiro sem sentido algum e que é sempre uma arma política a ser usada por quem quer que esteja à frente do Governo, e da TAP, e de empresas de transportes públicos como a Carris ou a Refer que andam à anos e anos a acumular prejuízos à conta de preços abaixo do mercado subsidiados pelo Estado.
3-Em suporte ao ponto 2 acabar com muitas das parcerias-público privadas pornográficas que o Governo Sócrates tem usado e abusado para mascarar as contas públicas.Ao passar responsabilidades que costumavam entrar no Orçamento de Estado para empresas públicas como a Estradas de Portugal, o Governo Português tem estado (de modo legal diga-se) a mascarar o verdadeiro défice público. À conta destes truques contabilísticos só nos últimos 2 anos as Estradas de Portugal viu o seu passivo aumentar uns pornográficos 1391%. Isto tem de acabar.
4-Alterar a Constituição Portuguesa: Défices públicos deverão ser declarados como inconstitucionais. Portugal não pode continuar a viver acima das suas possibilidades, e sem crescimento económico sustentável. Em Portugal desdenhamos a poupança.Pior que isso, os nossos políticos estão convencidos que é o consumo que lidera o crescimento económico e não a poupança. Os nossos políticos desde o 25 de Abril que andam todos convencidos disto e ainda não conseguiram perceber, mesmo com todos os disparates que têm feito desde então, que esse caminho é o errado. O futuro de um Portugal sustentável só pode passar por um Portugal que seja rigoroso e que imponha a si própria a ambição de não ter défices, mas sim superavits. O futuro de Portugal só pode passar por um Portugal que tenha a ambição de estimular poupança, porque é a poupança que permite investimento futuro, que por sua vez permite ganhos de competitividade e aumento dos nossos níveis de vida.
Já era altura dos nossos políticos deixarem de brincar com o fogo com as suas constantes fugas para a frente e dramas de vitimização. Nas últimas semanas parece que tem vingado a tese de que Portugal está a ser alvo de um ataque de especuladores que nos querem comprar à Grécia. Portugal não é ainda a Grécia, mas quem ouve os membros do Governo português falar fica logo com a ideia de que isto é tudo uma grande cabala contra Portugal e que a culpa é dos especuladores. O que é extraordinário aqui é a inversão de responsabilidades. A culpa não é dos malandros dos especuladores que querem ganhar dinheiro à conta dos nossos disparates. A culpa é nossa, do país, que anda há anos a viver acima das suas possiblidades .... A culpa é do Estado (não interessa quem está à frente do Governo pois mudam-se as cores políticas e mantém-se sempre a tendência de aumento da despesa pública) que pesa hoje quase 50% do PIB nacional e tem um défice de 9.4%. Se fossem tudo rosas por Portugal e estivessesmos com as nossas contas públicas controladas os malandros das agências de rating não estariam a baixar o nosso rating nem estaríamos neste momento no lote dos países com maior risco de bancarrota. Ninguém no seu perfeito juízo pode achar que seria normal que quem empreste dinheiro a Portugal neste momento tivesse o seu risco de nos emprestar dinheiro a ser remunerado à mesma taxa de juro que emprestaria à Alemanha. Vale a pena reler este ensaio que Ricardo Reis escreveu para o jornal i em Dezembro.
Portugal nesta altura só tem uma solução. Devemos exigir aos nossos governantes que tranquilizem os credores e o mercado com medidas concretas de controlo das finanças públicas, mas olhando também para um crescimento económico sustentável. Em vez dos nossos governantes andarem a fazer-se de vitimas de ataques do mercado, deveriam estar a acalmar o mercado com medidas sérias e de preferência que fujam às típicas fórmulas do passado que nunca resultam. Aqui ficam algumas propostas para Sócrates (algumas delas já propostas antes neste blog):
1- Mexer nos impostos. Não aumentando os impostos, mas fazendo precisamente o contrário ou pelo menos tornando a política fiscal mais simples e transparente. Por exemplo como já proposto aqui: mexer com o IRS aplicando uma taxa de IRS única e positiva ou em alternativa pura e simplesmente abolir com o IRS taxando apenas o consumo via IVA (e aqui até se poderia eventualmente subir o IVA ligeiramente).
2- Baixar a despesa pública mas de forma significativa. Isto por muito que custe a muita gente, implica cortes salariais no sector público, e cortes na saúde e educação (em Portugal está-se convencido que injectar mais e mais dinheiro na educação por si só faz milagres. os resultados estão à vista). Acrescentaria a privatização da RTP que é um buraco financeiro sem sentido algum e que é sempre uma arma política a ser usada por quem quer que esteja à frente do Governo, e da TAP, e de empresas de transportes públicos como a Carris ou a Refer que andam à anos e anos a acumular prejuízos à conta de preços abaixo do mercado subsidiados pelo Estado.
3-Em suporte ao ponto 2 acabar com muitas das parcerias-público privadas pornográficas que o Governo Sócrates tem usado e abusado para mascarar as contas públicas.Ao passar responsabilidades que costumavam entrar no Orçamento de Estado para empresas públicas como a Estradas de Portugal, o Governo Português tem estado (de modo legal diga-se) a mascarar o verdadeiro défice público. À conta destes truques contabilísticos só nos últimos 2 anos as Estradas de Portugal viu o seu passivo aumentar uns pornográficos 1391%. Isto tem de acabar.
4-Alterar a Constituição Portuguesa: Défices públicos deverão ser declarados como inconstitucionais. Portugal não pode continuar a viver acima das suas possibilidades, e sem crescimento económico sustentável. Em Portugal desdenhamos a poupança.Pior que isso, os nossos políticos estão convencidos que é o consumo que lidera o crescimento económico e não a poupança. Os nossos políticos desde o 25 de Abril que andam todos convencidos disto e ainda não conseguiram perceber, mesmo com todos os disparates que têm feito desde então, que esse caminho é o errado. O futuro de um Portugal sustentável só pode passar por um Portugal que seja rigoroso e que imponha a si própria a ambição de não ter défices, mas sim superavits. O futuro de Portugal só pode passar por um Portugal que tenha a ambição de estimular poupança, porque é a poupança que permite investimento futuro, que por sua vez permite ganhos de competitividade e aumento dos nossos níveis de vida.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
The Next Global Problem: Portugal
Segundo o New York Times:
The bailout of Greece, while still not fully consummated, has brought an eerie calm in European financial markets.
It is, for sure, a huge bailout by historical standards. With the planned addition of International Monetary Fund money, the Greeks will receive 18 percent of their gross domestic product in one year at preferential interest rates. This equals 4,000 eurPublish Postos per person, and will be spent in roughly 11 months.
Despite this eye-popping sum, the bailout does nothing to resolve the many problems that persist. Indeed, it probably makes the euro zone a much more dangerous place for the next few years. Next on the radar will be Portugal. This nation has largely missed the spotlight, if only because Greece spiraled downward. But both are economically on the verge of bankruptcy, and they each look far riskier than Argentina did back in 2001 when it succumbed to default.
Portugal spent too much over the last several years, building its debt up to 78 percent of G.D.P. at the end of 2009 (compared with Greece’s 114 percent of G.D.P. and Argentina’s 62 percent of G.D.P. at default). The debt has been largely financed by foreigners, and as with Greece, the country has not paid interest outright, but instead refinances its interest payments each year by issuing new debt. By 2012 Portugal’s debt-to-G.D.P. ratio should reach 108 percent of G.D.P. if the country meets its planned budget deficit targets. At some point financial markets will simply refuse to finance this Ponzi game.
The main problem that Portugal faces, like Greece, Ireland and Spain, is that it is stuck with a highly overvalued exchange rate when it is in need of far-reaching fiscal adjustment. For example, just to keep its debt stock constant and pay annual interest on debt at an optimistic 5 percent interest rate, the country would need to run a primary surplus of 5.4 percent of G.D.P. by 2012. With a planned primary deficit of 5.2 percent of G.D.P. this year (i.e., a budget surplus, excluding interest payments), it needs roughly 10 percent of G.D.P. in fiscal tightening.
It is nearly impossible to do this in a fixed exchange-rate regime — i.e., the euro zone — without vast unemployment. The government can expect several years of high unemployment and tough politics, even if it is to extract itself from this mess.
Neither Greek nor Portuguese political leaders are prepared to make the needed cuts. The Greeks have announced minor budget changes, and are now holding out for their 45 billion euro package while implicitly threatening a messy default on the rest of Europe if they do not get what they want — and when they want it.
The Portuguese are not even discussing serious cuts. In their 2010 budget, they plan a budget deficit of 8.3 percent of G.D.P., roughly equal to the 2009 budget deficit (9.4 percent). They are waiting and hoping that they may grow out of this mess — but such growth could come only from an amazing global economic boom.
While these nations delay, the European Union with its bailout programs — assisted by Jean-Claude Trichet’s European Central Bank — provides financing. The governments issue bonds; European commercial banks buy them and then deposit these at the European Central Bank as collateral for freshly printed money. The bank has become the silent facilitator of profligate spending in the euro zone.
Last week the European Central Bank had a chance to dismantle this doom machine when the board of governors announced new rules for determining what debts could be used as collateral at the central bank.
Some anticipated the central bank might plan to tighten the rules gradually, thereby preventing the Greek government from issuing too many new bonds that could be financed at the bank. But the bank did not do that. In fact, the bank’s governors did the opposite: they made it even easier for Greece, Portugal and any other nation to borrow in 2011 and beyond. Indeed, under the new lax rules you need only to convince one rating agency (and we all know how easy that is) that your debt is not junk in order to get financing from the European Central Bank.
Today, despite the clear dangers and huge debts, all three rating agencies are surely scared to take the politically charged step of declaring that Greek debt is junk. They are similarly afraid to touch Portugal.
So what next for Portugal?
Pity the serious Portuguese politician who argues that fiscal probity calls for early belt-tightening. The European Union, the European Central Bank and the Greeks have all proven that the euro zone nations have no threshold for pain, and European Union money will be there for anyone who wants it. The Portuguese politicians can do nothing but wait for the situation to get worse, and then demand their bailout package, too. No doubt Greece will be back next year for more. And the nations that “foolishly” already started their austerity, such as Ireland and Italy, must surely be wondering whether they too should take the less austere path.
There seems to be no logic in the system, but perhaps there is a logical outcome.
Europe will eventually grow tired of bailing out its weaker countries. The Germans will probably pull that plug first. The longer we wait to see fiscal probity established, at the European Central Bank and the European Union, and within each nation, the more debt will be built up, and the more dangerous the situation will get.
When the plug is finally pulled, at least one nation will end up in a painful default; unfortunately, the way we are heading, the problems could be even more widespread.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Emprestaria dinheiro a estes senhores?
Excelente artigo do Camilo Lourenço:
A imprensa tem dedicado muito espaço às queixas dos gregos (e não só) quanto ao papel dos especuladores na crise da sua dívida pública. Ainda na segunda-feira o número dois do Governo helénico dizia a este jornal que nós (portugueses) somos os próximos. De...
A imprensa tem dedicado muito espaço às queixas dos gregos (e não só) quanto ao papel dos especuladores na crise da sua dívida pública. Ainda na segunda-feira o número dois do Governo helénico dizia a este jornal que nós (portugueses) somos os próximos. De permeio acusou a Alemanha de "julgamentos raciais" (os gregos trabalham pouco...).
O que é extraordinário nesta história é a inversão de responsabilidades: a culpa é dos especuladores, que, com a sua actuação, ganham muito dinheiro. Poucos parecem lembrar-se de que os especuladores só têm êxito porque alguém (os gregos) não fez o trabalho de casa. Para as mentes mais sensíveis, sobretudo com inclinação para a esquerda, aqui ficam alguns números. Para pensar:
1 - Entre 2004 e 2009, o governo grego aumentou o número de funcionários públicos em quase 50% e os salários/benefícios em 100% (Theodoros Pangalos dixit).
2 - O défice orçamental é de cerca de dois mil milhões de euros/mês. A dívida total, colocada pelo país nos mercados, já soma uns incríveis... 300 mil milhões de euros (vale mais 13% que o Produto Interno Bruto do país). Os juros que a Grécia vai pagar, este ano, por essa dívida (se as taxas não continuarem a subir) vai chegar a 13 mil milhões de euros (mais do dobro do investimento público português em 2010).
Aqui chegados, vale a pena deixar duas perguntas: algum dos críticos (dos especuladores) emprestaria dinheiro à Grécia... à mesma taxa que emprestaria à Alemanha? E colocaria nessa dívida toda a sua liquidez? Bem me parecia...
O que é extraordinário nesta história é a inversão de responsabilidades: a culpa é dos especuladores, que, com a sua actuação, ganham muito dinheiro. Poucos parecem lembrar-se de que os especuladores só têm êxito porque alguém (os gregos) não fez o trabalho de casa. Para as mentes mais sensíveis, sobretudo com inclinação para a esquerda, aqui ficam alguns números. Para pensar:
1 - Entre 2004 e 2009, o governo grego aumentou o número de funcionários públicos em quase 50% e os salários/benefícios em 100% (Theodoros Pangalos dixit).
2 - O défice orçamental é de cerca de dois mil milhões de euros/mês. A dívida total, colocada pelo país nos mercados, já soma uns incríveis... 300 mil milhões de euros (vale mais 13% que o Produto Interno Bruto do país). Os juros que a Grécia vai pagar, este ano, por essa dívida (se as taxas não continuarem a subir) vai chegar a 13 mil milhões de euros (mais do dobro do investimento público português em 2010).
Aqui chegados, vale a pena deixar duas perguntas: algum dos críticos (dos especuladores) emprestaria dinheiro à Grécia... à mesma taxa que emprestaria à Alemanha? E colocaria nessa dívida toda a sua liquidez? Bem me parecia...
Fonte: Jornal de Negócios
quarta-feira, 24 de março de 2010
A solução final. Obrigado Keynes
por André Macedo, Publicado em 24 de Março de 2010
No dia em que os pilotos da TAP desistiram da greve, falemos de outra companhia aérea falida. E de como o futuro está escrito nos céus
No início deste mês, o Japão inaugurou o seu 98.o aeroporto, o Shizuoka Fuji, ao pé da célebre montanha. Dois meses antes, a Japan Airlines (JAL), a companhia de bandeira famosa pelo magnífico sushi a bordo e pelas hospedeiras de sonho, declarou bancarrota. Alguma relação entre o primeiro e o segundo facto? Claro: a JAL era uma espécie de samurai falido há já muitos anos, mas foi a crise - menos pessoas a viajar, menos transporte de carga nos gigantes 747 - a decretar o golpe de misericórdia numa empresa que já estava moribunda.
Mas antes desta última gota envenenada - a crise mundial ? que tem levado à falência companhias aéreas em todo o mundo, outro detalhe ajudou a multiplicar as probabilidades de falência da JAL: a quantidade absurda de aeroportos construídos por todo o país. Estes 98 elefantes brancos funcionaram como uma espécie de tsunami para a companhia aérea. Forçada a voar para estas rotas por sucessivos governos paternalistas, um terço dos voos internos da JAL tinha uma taxa de ocupação inferior a 50%. E apenas 11 destas 151 rotas preenchia 70% dos lugares - o número mágico que separa o lucro do prejuízo.
Apesar desta evidência, a JAL nunca conseguiu travar a viagem fatal para a tragédia. E não conseguiu porquê?
A resposta está, como sempre, no pior lado da política. Os sucessivos governos japoneses, pressionados por uma economia deflacionária desde os anos 90, agarraram-se às teorias de Keynes para tentar ressuscitar o país. Construir aeroportos e outras obras públicas mirabolantes foi - hélas! - o caminho escolhido. Afinal, Keynes recomendava que, em caso de necessidade, os estados até abrissem e fechassem buracos para estimular a economia. O Japão cumpriu à letra - e fez aeroportos que se revelaram autênticas crateras para as empresas envolvidas na gestão dos espaços e para as companhias aéreas forçadas a voar para sítios inúteis.
A lição é evidente: obras públicas faraónicas são um falso remédio. A prazo tornam-se sempre um cadafalso para as empresas envolvidas - ganham no imediato, perdem a prazo se as tiverem de gerir - e para os cofres públicos obrigados a subsidiá-las eternamente. No meio do desespero podem parecer uma solução genial, mas demasiadas vezes convertem-se em solução final para os contribuintes, financiadores passivos destes disparates patrióticos.
A JAL é apenas uma metáfora das muitas do género que há por esse mundo fora, mas apesar do alto risco destas políticas públicas, os governos insistem em apostar nas miragens do betão. Comboios de alta velocidade deficitários e outras infra-estruturas ineficientes são pedras que conduzem ao fundo, não ao esplendoroso nirvana económico.
O tempo que vivemos é de grandes escolhas. Optar pelo TVG, pela terceira ponte sobre o Tejo ou por um novo aeroporto será apenas a via rápida para a falência. Seria bom que, desta vez, Sócrates não fosse Sócrates. Aqui - e só aqui - ele deveria ser Ferreira Leite.
Fonte: i
No dia em que os pilotos da TAP desistiram da greve, falemos de outra companhia aérea falida. E de como o futuro está escrito nos céus
No início deste mês, o Japão inaugurou o seu 98.o aeroporto, o Shizuoka Fuji, ao pé da célebre montanha. Dois meses antes, a Japan Airlines (JAL), a companhia de bandeira famosa pelo magnífico sushi a bordo e pelas hospedeiras de sonho, declarou bancarrota. Alguma relação entre o primeiro e o segundo facto? Claro: a JAL era uma espécie de samurai falido há já muitos anos, mas foi a crise - menos pessoas a viajar, menos transporte de carga nos gigantes 747 - a decretar o golpe de misericórdia numa empresa que já estava moribunda.
Mas antes desta última gota envenenada - a crise mundial ? que tem levado à falência companhias aéreas em todo o mundo, outro detalhe ajudou a multiplicar as probabilidades de falência da JAL: a quantidade absurda de aeroportos construídos por todo o país. Estes 98 elefantes brancos funcionaram como uma espécie de tsunami para a companhia aérea. Forçada a voar para estas rotas por sucessivos governos paternalistas, um terço dos voos internos da JAL tinha uma taxa de ocupação inferior a 50%. E apenas 11 destas 151 rotas preenchia 70% dos lugares - o número mágico que separa o lucro do prejuízo.
Apesar desta evidência, a JAL nunca conseguiu travar a viagem fatal para a tragédia. E não conseguiu porquê?
A resposta está, como sempre, no pior lado da política. Os sucessivos governos japoneses, pressionados por uma economia deflacionária desde os anos 90, agarraram-se às teorias de Keynes para tentar ressuscitar o país. Construir aeroportos e outras obras públicas mirabolantes foi - hélas! - o caminho escolhido. Afinal, Keynes recomendava que, em caso de necessidade, os estados até abrissem e fechassem buracos para estimular a economia. O Japão cumpriu à letra - e fez aeroportos que se revelaram autênticas crateras para as empresas envolvidas na gestão dos espaços e para as companhias aéreas forçadas a voar para sítios inúteis.
A lição é evidente: obras públicas faraónicas são um falso remédio. A prazo tornam-se sempre um cadafalso para as empresas envolvidas - ganham no imediato, perdem a prazo se as tiverem de gerir - e para os cofres públicos obrigados a subsidiá-las eternamente. No meio do desespero podem parecer uma solução genial, mas demasiadas vezes convertem-se em solução final para os contribuintes, financiadores passivos destes disparates patrióticos.
A JAL é apenas uma metáfora das muitas do género que há por esse mundo fora, mas apesar do alto risco destas políticas públicas, os governos insistem em apostar nas miragens do betão. Comboios de alta velocidade deficitários e outras infra-estruturas ineficientes são pedras que conduzem ao fundo, não ao esplendoroso nirvana económico.
O tempo que vivemos é de grandes escolhas. Optar pelo TVG, pela terceira ponte sobre o Tejo ou por um novo aeroporto será apenas a via rápida para a falência. Seria bom que, desta vez, Sócrates não fosse Sócrates. Aqui - e só aqui - ele deveria ser Ferreira Leite.
Fonte: i
terça-feira, 23 de março de 2010
Algo cheira mal na China
Algo cheira mal na China e isto tem sinais fortes de que não vai acabar nada bem. O modelo de Capitalismo de Estado chinês tem estado a criar uma bolha imobiliária como nunca vimos antes. O que se está a passar na China com autênticas cidades fantasmas quando estoirar vai fazer parecer a bolha imobiliária dos EUA (a que originou a crise financeira e económica mundial que estamos a viver) uma brincadeira de crianças.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Leitura recomendada
Pedro Santos Guerreiro
Seis mil milhões de razões erradas para privatizar
Queriam o Estado fora da economia? Queriam o Governo fora das empresas? Tomai. Tomai redução da despesa do Estado no PIB. Tomai menos funcionário públicos. Tomai EDP, REN, TAP, tomai Galp, CTT, seguros da CGD, tomai sabe-se lá o que mais. A necessidade...
Queriam o Estado fora da economia? Queriam o Governo fora das empresas? Tomai. Tomai redução da despesa do Estado no PIB. Tomai menos funcionário públicos. Tomai EDP, REN, TAP, tomai Galp, CTT, seguros da CGD, tomai sabe-se lá o que mais. A necessidade fez do PS um Governo liberal.
A ironia é total: a crise que obrigara o Estado a entrar pela economia adentro criou-lhe custos tão grandes que serão pagos à custa da sua saída de lá. Veja-se a enormidade de receita orçamentada até 2013: seis mil milhões de euros. Eu repito: €6.000.000.000. Ou o Estado anda a brincar aos orçamentos (como as autarquias despudoradamente fazem com previsões de vendas de património que não concretizam), ou este Programa de Estabilidade e Crescimento contém o mais súbito programa de privatizações alguma vez feito em Portugal.
O Estado não anda a brincar aos PEC. Não pode. Porque essa receita, que não abate ao défice orçamental, vai directa para reduzir encargos com a dívida. Vai para os credores: o dinheiro nem aquece nos cofres do Estado.
Estava escrito. Não nas estrelas, mas nos livros de economia, que os primeiros-ministros não lêem. É um dos problemas portugueses: a atrevida ignorância dos que nos governam. Cavaco Silva foi um primeiro-ministro limitado mas sabia de economia. Os que se lhe seguiram horrorizaram-se com a tecnocracia. O resultado económico está à vista: Guterres foi complacente, Durão um dissidente, Santana foi indiferente e Sócrates é detergente. Nenhum destes entes quis ler, ouvir ou crer na economia.
Os nossos dramas têm a sua própria cacofonia: o problema é défice orçamental, é a dívida pública, é a dívida externa, é o défice externo, é o crescimento económico? São todos e cada um, em círculo vicioso. Só o crescimento é pequeno, o resto é enorme.
O que escrevem os economistas há anos sobre o défice externo? Que a sua causa é a falta de competitividade. Que a sua consequência é a venda de activos. Ora o défice externo está nos 8,2% do PIB numa rota ascendente para 11,3% (em 2011, prevê o Banco de Portugal), o que o aproxima do pico de 1982 (11,8%), quando, sem divisas, recorremos ao FMI.
Venda de activos: EDP, REN, TAP, Galp, CTT, seguros da CGD. Mas não só. É a Cimpor como presságio de vendas privadas: a recente entrada de dois grandes accionistas brasileiros substituiu portugueses altamente endividados. O maior, a Teixeira Duarte, recebeu mil milhões de euros. Entraram-lhe por um ouvido e saíram-lhe pelo outro: foi directo para os bancos portugueses credores (BCP, sobretudo), que, por sua vez, devem a bancos estrangeiros. A Cimpor deixou de ser controlada por portugueses mas o dinheiro que entrou em Portugal a 100 saiu a 200.
A defesa dos Centros de Decisão Nacional e da importância do Estado nas empresas em sectores estratégicos tem sido aqui amplamente criticada. São proteccionismos que servem interesses particulares, prejudicam a concorrência e viabilizam instrumentalizações políticas. Mas não é por essas boas razões que o Estado se prepara para liquidar as suas participações mais valiosas. É por seis mil milhões de razões erradas. Dinheiro sem credo nem ideologia.
Não são apenas as empresas que vão ser postas à venda, é uma ideologia de esquerda que se vende. O liberalismo vence a política pelo seu mais poderoso argumento: dá dinheiro. E come incompetentes ao pequeno-almoço.
A ironia é total: a crise que obrigara o Estado a entrar pela economia adentro criou-lhe custos tão grandes que serão pagos à custa da sua saída de lá. Veja-se a enormidade de receita orçamentada até 2013: seis mil milhões de euros. Eu repito: €6.000.000.000. Ou o Estado anda a brincar aos orçamentos (como as autarquias despudoradamente fazem com previsões de vendas de património que não concretizam), ou este Programa de Estabilidade e Crescimento contém o mais súbito programa de privatizações alguma vez feito em Portugal.
O Estado não anda a brincar aos PEC. Não pode. Porque essa receita, que não abate ao défice orçamental, vai directa para reduzir encargos com a dívida. Vai para os credores: o dinheiro nem aquece nos cofres do Estado.
Estava escrito. Não nas estrelas, mas nos livros de economia, que os primeiros-ministros não lêem. É um dos problemas portugueses: a atrevida ignorância dos que nos governam. Cavaco Silva foi um primeiro-ministro limitado mas sabia de economia. Os que se lhe seguiram horrorizaram-se com a tecnocracia. O resultado económico está à vista: Guterres foi complacente, Durão um dissidente, Santana foi indiferente e Sócrates é detergente. Nenhum destes entes quis ler, ouvir ou crer na economia.
Os nossos dramas têm a sua própria cacofonia: o problema é défice orçamental, é a dívida pública, é a dívida externa, é o défice externo, é o crescimento económico? São todos e cada um, em círculo vicioso. Só o crescimento é pequeno, o resto é enorme.
O que escrevem os economistas há anos sobre o défice externo? Que a sua causa é a falta de competitividade. Que a sua consequência é a venda de activos. Ora o défice externo está nos 8,2% do PIB numa rota ascendente para 11,3% (em 2011, prevê o Banco de Portugal), o que o aproxima do pico de 1982 (11,8%), quando, sem divisas, recorremos ao FMI.
Venda de activos: EDP, REN, TAP, Galp, CTT, seguros da CGD. Mas não só. É a Cimpor como presságio de vendas privadas: a recente entrada de dois grandes accionistas brasileiros substituiu portugueses altamente endividados. O maior, a Teixeira Duarte, recebeu mil milhões de euros. Entraram-lhe por um ouvido e saíram-lhe pelo outro: foi directo para os bancos portugueses credores (BCP, sobretudo), que, por sua vez, devem a bancos estrangeiros. A Cimpor deixou de ser controlada por portugueses mas o dinheiro que entrou em Portugal a 100 saiu a 200.
A defesa dos Centros de Decisão Nacional e da importância do Estado nas empresas em sectores estratégicos tem sido aqui amplamente criticada. São proteccionismos que servem interesses particulares, prejudicam a concorrência e viabilizam instrumentalizações políticas. Mas não é por essas boas razões que o Estado se prepara para liquidar as suas participações mais valiosas. É por seis mil milhões de razões erradas. Dinheiro sem credo nem ideologia.
Não são apenas as empresas que vão ser postas à venda, é uma ideologia de esquerda que se vende. O liberalismo vence a política pelo seu mais poderoso argumento: dá dinheiro. E come incompetentes ao pequeno-almoço.
Fonte:Jornal de negócios
quarta-feira, 10 de março de 2010
Aumento de impostos
Brilhante este post do Miguel Botelho Moniz n'O Insurgente. É caso mesmo para dizer que Sócrates anda em fase de negação.
Um pé(c) descalço, uma geração perdida
por André Macedo, Publicado em 10 de Março de 2010
O Plano de Estabilidade e Crescimento esqueceu-se do crescimento. Depois de uma década perdida, já lá vem outra a galope
Foi António Guterres quem usou pela primeira vez a expressão "não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão". Não importa que Guterres se tenha inspirado numa campanha publicitária do champô para a caspa "Head & Shoulders" com esse slogan; interessa saber que imagem ficou destas primeiras linhas do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC).
A resposta não exige grandes meditações: na verdade, não estamos perante um PEC, mas perante um PE. José Sócrates e Teixeira dos Santos procuram de facto estabilizar as contas do Estado até 2013 através da redução do défice público, mas esqueceram-se, não foram capazes ou não quiseram dar substância política à última letra do PEC - a letra C, de crescimento.
Entre o PEC e o PE há uma enorme diferença. O PEC deveria ser um documento de política económica destinado a pôr em ordem as finanças do Estado para ajudar o país a crescer mais depressa. O PE é um documento menos ambicioso e com menos octanas, que se limita a tornar claro quais os recursos financeiros que o governo pretende usar para evitar a insolvência do Estado.
O primeiro juízo político que é possível fazer desta versão ainda reduzida do PE(C) é, portanto, a da sua falta de alcance económico: o que sobra em contabilidade e contas de somar (impostos) e subtrair (recursos às classes médias) falta em visão económica. É verdade: para os mercados internacionais e para a Comissão Europeia, esta visão de mercearia é o mais importante, já que traduz o compromisso de travar a corrida para a falência e para o incumprimento das responsabilidades externas. No entanto, se para os credores e parceiros da UE é suficiente esta jura de bom pagador, para consumo interno é curto.
Perante a gravidade das circunstâncias exigia-se mais esforço a Sócrates. Por exemplo, assumir que de facto está a aumentar os impostos não apenas a quem apresenta rendimentos superiores a 150 mil euros brutos anuais, mas a uma fatia mais alargada da população: é esse o efeito prático da redução dos benefícios fiscais. Disfarçar esta realidade não resolve nada e, como se viu, não escapou a ninguém com a cabeça em cima dos ombros. A caspa, como as meias verdades, é impossível de disfarçar.
Mas assumir os factos, além de um acto de inteligência política e de respeito pelos eleitores, teria um efeito instrumental: confrontado o país com a gravidade da crise e a violência das medidas inevitáveis (a que se juntará a subida dos juros), o governo ter-se-ia sentido forçado a indicar o objectivo maior do plano que apresentará em Bruxelas. Depois de uma década perdida, a nova que agora se anuncia ameaça tornar-se uma nova catástrofe social.
Além dos 500 mil desempregados, que vieram para ficar, as novas gerações que estão
a entrar no mercado de trabalho vão enfrentar condições duríssimas de sobrevivência. Muitos não serão capazes de sair de casa dos pais. Outros - alguns já com mais de 30 anos - terão de regressar perante a impossibilidade de encontrarem trabalhos capazes de os sustentar. Outros ainda terão de emigrar. O que o país lhes oferece são mais impostos e menos oportunidades. Talento e energia serão por isso desperdiçados. A geração rasca deu agora lugar à geração à rasca. Não é bonito, não é elegante, é apenas Portugal - apesar de Sócrates lavar sempre mais branco. Com ele é tudo uma campanha.
Fonte:i
O Plano de Estabilidade e Crescimento esqueceu-se do crescimento. Depois de uma década perdida, já lá vem outra a galope
Foi António Guterres quem usou pela primeira vez a expressão "não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão". Não importa que Guterres se tenha inspirado numa campanha publicitária do champô para a caspa "Head & Shoulders" com esse slogan; interessa saber que imagem ficou destas primeiras linhas do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC).
A resposta não exige grandes meditações: na verdade, não estamos perante um PEC, mas perante um PE. José Sócrates e Teixeira dos Santos procuram de facto estabilizar as contas do Estado até 2013 através da redução do défice público, mas esqueceram-se, não foram capazes ou não quiseram dar substância política à última letra do PEC - a letra C, de crescimento.
Entre o PEC e o PE há uma enorme diferença. O PEC deveria ser um documento de política económica destinado a pôr em ordem as finanças do Estado para ajudar o país a crescer mais depressa. O PE é um documento menos ambicioso e com menos octanas, que se limita a tornar claro quais os recursos financeiros que o governo pretende usar para evitar a insolvência do Estado.
O primeiro juízo político que é possível fazer desta versão ainda reduzida do PE(C) é, portanto, a da sua falta de alcance económico: o que sobra em contabilidade e contas de somar (impostos) e subtrair (recursos às classes médias) falta em visão económica. É verdade: para os mercados internacionais e para a Comissão Europeia, esta visão de mercearia é o mais importante, já que traduz o compromisso de travar a corrida para a falência e para o incumprimento das responsabilidades externas. No entanto, se para os credores e parceiros da UE é suficiente esta jura de bom pagador, para consumo interno é curto.
Perante a gravidade das circunstâncias exigia-se mais esforço a Sócrates. Por exemplo, assumir que de facto está a aumentar os impostos não apenas a quem apresenta rendimentos superiores a 150 mil euros brutos anuais, mas a uma fatia mais alargada da população: é esse o efeito prático da redução dos benefícios fiscais. Disfarçar esta realidade não resolve nada e, como se viu, não escapou a ninguém com a cabeça em cima dos ombros. A caspa, como as meias verdades, é impossível de disfarçar.
Mas assumir os factos, além de um acto de inteligência política e de respeito pelos eleitores, teria um efeito instrumental: confrontado o país com a gravidade da crise e a violência das medidas inevitáveis (a que se juntará a subida dos juros), o governo ter-se-ia sentido forçado a indicar o objectivo maior do plano que apresentará em Bruxelas. Depois de uma década perdida, a nova que agora se anuncia ameaça tornar-se uma nova catástrofe social.
Além dos 500 mil desempregados, que vieram para ficar, as novas gerações que estão
a entrar no mercado de trabalho vão enfrentar condições duríssimas de sobrevivência. Muitos não serão capazes de sair de casa dos pais. Outros - alguns já com mais de 30 anos - terão de regressar perante a impossibilidade de encontrarem trabalhos capazes de os sustentar. Outros ainda terão de emigrar. O que o país lhes oferece são mais impostos e menos oportunidades. Talento e energia serão por isso desperdiçados. A geração rasca deu agora lugar à geração à rasca. Não é bonito, não é elegante, é apenas Portugal - apesar de Sócrates lavar sempre mais branco. Com ele é tudo uma campanha.
Fonte:i
segunda-feira, 1 de março de 2010
The Second Wave
Vem aí o novo documentário da National Inflation Association (NIA), com um título sugestivo: "The Second Wave". A NIA continua a bater na mesma tecla, tal como tenho vindo a escrever neste blog, de que com os disparates que os bancos centrais e a maior parte dos governos andam a fazer, o pior desta crise ainda está para vir . Enquanto este The Second Wave não chega, recomendo vivamente outra excelente documentário feito pelo pessoal da NIA:
Hyperinflation Nation Part1
Hyperinflation Nation Part2
Hyperinflation Nation Part3
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O fim do regime?
Os regimes começam a cair pelos seus partidos. Portugal é um exemplo claro. Quando os partidos tradicionais da monarquia constitucional, o Partido Regenerador e o Partido Progressista, perderam qualquer espécie de identidade ideológica e programática, falharam sucessivamente no governo e se desintegraram em facções sem significado e sem destino, a República chegou. E, na República, quando o Partido Democrático de Afonso Costa, depois de 1918, deixou o seu jacobinismo original e passou a ser um conjunto de pequenos ranchos que se guerreavam, nada podia já impedir o 28 de Maio e a Ditadura. Mesmo a Ditadura se desfez, quando Salazar morreu, em bandos de "notáveis" que se detestavam e que pouco a pouco conseguiram paralisar Caetano.
A agonia desta II República, sob que vivemos, também está hoje à vista no calamitoso estado dos partidos parlamentares. O PC há 20 anos que não acredita na revolução e só quer impedir o governo de governar - seja ele qual for: da direita, do centro ou do PS. É um apêndice maligno, que dura contra todo o senso e toda a lógica. O Bloco, que não passa do PC da nova classe média, não serve para nada. Acabou por se tornar num grupo de protesto vociferante e vão, incompreensivelmente instalado em São Bento. E o PS, que Sócrates transformou numa tropa calada e reverente, vai desaparecendo agora, afundado (com razão ou sem ela, não importa) em escândalos de vária ordem e gravidade, e numa crise que não previu e não soube tratar. Como pode ele, sozinho, sustentar o regime?
Quanto ao PSD, Santana Lopes disse ontem que é, literalmente, uma "casa de ódios". Não vale a pena insistir na balbúrdia eleitoral em curso e na irremediável mediocridade dos candidatos. Ou no congresso extraordinário, que se reunirá em Março, ninguém percebeu ainda por quê e para quê. O PSD "precisa de salvação", como explicou Santana? Com certeza que sim. Mas, "precisando de salvação", como se propõe esse náufrago salvar o país? Falta falar do CDS ordeiro e laborioso de Paulo Portas, que não sai e parece que nunca sairá do seu cantinho. Por muitos méritos que lhe atribuam ou que, de facto, tenha, contar com ele não é realista. Na II República já não existem partidos. Existem sombras de partidos, restos de partidos, destroços de partidos. O regime não irá durar muito.
Vasco Pulido Valente in Público 27/02/2010
A agonia desta II República, sob que vivemos, também está hoje à vista no calamitoso estado dos partidos parlamentares. O PC há 20 anos que não acredita na revolução e só quer impedir o governo de governar - seja ele qual for: da direita, do centro ou do PS. É um apêndice maligno, que dura contra todo o senso e toda a lógica. O Bloco, que não passa do PC da nova classe média, não serve para nada. Acabou por se tornar num grupo de protesto vociferante e vão, incompreensivelmente instalado em São Bento. E o PS, que Sócrates transformou numa tropa calada e reverente, vai desaparecendo agora, afundado (com razão ou sem ela, não importa) em escândalos de vária ordem e gravidade, e numa crise que não previu e não soube tratar. Como pode ele, sozinho, sustentar o regime?
Quanto ao PSD, Santana Lopes disse ontem que é, literalmente, uma "casa de ódios". Não vale a pena insistir na balbúrdia eleitoral em curso e na irremediável mediocridade dos candidatos. Ou no congresso extraordinário, que se reunirá em Março, ninguém percebeu ainda por quê e para quê. O PSD "precisa de salvação", como explicou Santana? Com certeza que sim. Mas, "precisando de salvação", como se propõe esse náufrago salvar o país? Falta falar do CDS ordeiro e laborioso de Paulo Portas, que não sai e parece que nunca sairá do seu cantinho. Por muitos méritos que lhe atribuam ou que, de facto, tenha, contar com ele não é realista. Na II República já não existem partidos. Existem sombras de partidos, restos de partidos, destroços de partidos. O regime não irá durar muito.
Vasco Pulido Valente in Público 27/02/2010
Leitura recomendada
Marcianos uma ova!...
Engenheiro - Com que então o senhor professor João Duque acha que pelo facto de o Governo ter retirado as concessões e subconcessões do quadro das parcerias público privadas no relatório do Orçamento de Estado de 2010...
Engenheiro - Com que então o senhor professor João Duque acha que pelo facto de o Governo ter retirado as concessões e subconcessões do quadro das parcerias público privadas no relatório do Orçamento de Estado de 2010, colocando-as noutro quadro que se lhe segue, mas ainda no mesmo Orçamento, quando no Orçamento de 2009 estava tudo no mesmo quadro, pressupõe uma desleal manipulação da verdade, e insinua que com isso queremos "enrolar" os portugueses. Francamente! Seja intelectualmente honesto!
João Duque - sr. engenheiro, o senhor lê rápido e fundo. Não escrevi exactamente isso, mas já que o diz e assim interpretou o meu anterior artigo publicado no Diário Económico, deixe-me "retocar-lhe" a leitura. O que eu quis mostrar é que a retirada dos elementos de um quadro para o outro em dois Orçamentos de Estado consecutivos, não respeita um dos mais consagrados princípios de apresentação de contas que o Estado obriga à sociedade civil e que é o da comparabilidade.
Engenheiro - Ora, ora meu caro, mas isso não é o que você escreveu! O que insinuou com aquela piada de mau gosto sobre marcianos a pagarem as nossas estradas, foi que o Governo manipulava os dados e isso é falso. Ouviu? Falso!
João Duque - Calma sr. engenheiro, não se irrite tanto. Em primeiro lugar eu não escrevi que o Governo manipulava os números. Apenas mostrei que, enquanto no Orçamento de 2008 e 2009 os encargos líquidos para o Estado com as parcerias público privadas (PPP) cresciam de ano para ano (18 mil milhões em 2008 e 23 mil milhões em 2009), quando se lê o Orçamento de 2010 esses encargos passavam para 8,5 mil milhões. Mas, já agora, deixe-me confessar-lhe que, ao esmiuçar mais os números fiquei deveras confuso.
O caso é que quando calculei o valor actual dos encargos líquidos para o Estado decorrentes das PPP, apenas e exclusivamente para as tais concessões e subconcessões rodoviárias, o valor apresentado no Orçamento de 2009 foi de 16,4 mil milhões de euros negativos. Mas no Orçamento de 2010 esse valor passou para um valor positivo de 6,9 mil milhões! Então que vem a ser isto?
E como não há referência a erros grosseiros nas estimativas do Orçamento anterior, então é porque esta diferença de 23,3 mil milhões só se pode ficar a dever às novas concessões e subconcessões rodoviárias que se esperam lançar no ano de 2010... Isto é, as novas concessões permitirão, só por si, um valor actual líquido positivo de 23 mil milhões a compensar as antigas que apresentavam valores descontroladamente negativos... Ou vamos todos pagar portagens em todo o lado, ou há benefícios financeiros inimagináveis para as estradas e auto-estradas projectadas para recônditos locais populosos de Portugal que ainda não descobrimos.
Porque das duas, uma: ou vamos pagar portagens da sala para o quarto de modo a que a Conta do Estado venha a registar este milagre, ou estamos a falar das estradas para o Paraíso. Mas conhecendo os homens, não será mais lucrativo portajar a passagem ao Inferno?
Valha-nos Deus...
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João Duque, Professor Catedrático do ISEG
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